dezembro 3, 2009
havia uma sinfonia simples no ar,
sorrateira, espalhava-se pelos muros cobertos de ilusão e auto-piedade, não que isso significasse algo. a cidade iluminava-se na tentativa de manter-se ativa e as sombras cresciam e dançavam pelo asfalto desfigurado. ao longe, a letra saia preguiçosa de um eco anônimo e sorria por entre os carros enferrujados. a melodia corria animada pelas escadas dos prédios decadentes atirava-se livre no ar, estourando alegria para qualquer ser vivo que restasse na cidade vazia. agora já estava feito;
a música surgia e seus componentes misturavam-se, insanos e rítmicos. e a cidade cinza ganhava cores, tons, notas e acima de tudo, vida.