não há nada mais sereno e agradável do que os acordes calmos de um violão. de preferencia, acompanhado por uma voz mansa que lhe dê o que merece. esse tipo de momento merece um fechar de olhos e respiração calma, ainda mais quando vem da sala.
ainda mais quando vem dele.
eu abro os olhos, chateada com a luz que insite em entrar. gostaria de ficar o resto dos meses ali, deitada sobre o nascer do dia enquanto ele canta, suave, triste, misterioso. me faz acordar com meio sorriso nos lábios, acompanhado por um súbito desejo de lhe ter na cama outra vez. eu respiro fundo, espreguiçando-me, e sinto agora o cheiro de café.
lá fora, existe um céu limpo e um sol brincalhão que invade com seus arios por toda cozinha. e lá está homem, lutando contra o pó preto e a água quente. silenciosa, atravesso a sala, me enroscando em sua costas, como uma gata manhosa e preguiçosa. ele me acolhe, como sempre faz e me beija com carinho e paixão, esse tipo de beijo que não se quer parar. não há necessidades de palavras.
para mim, aquilo é um sonho. do tipo que lhe desperta um grau de felicidade indiscutível. logo estamos novamente espalhados pela casa vazia, meus pés brincam com suas mãos bobas que correm pelas pernas, coxas, vazio. a música ecoa, as cordas criam vida.
e eu, secretamente, guardo aquele momento em uma caixinha.
