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Julho 31, 2008

são quatro da manhã. eu digo, já se foram 4 horas de quinta feira. e faltam apenas 4 dias pras aulas começarem. o tédio cotidiano vai invadir meus dias mórbidos de poeira e fim de tarde. eu poderia re-fazer mil coisas, torná-las legais, poderia sair correndo na rua, dizer, gritar e escutar a resposta silêncio e os olhares que julgam. eu resolvo então me sentar no meio da varanda e acender um cigarro, observando a solidão dos seres noturnos e da noite fria. a falta de estrela me incomoda, assim como o silêncio pertubador que me faz escutar meus pensamentos acusadores.
é como você escrever um livro que ninguém nunca irá ler. com todos seus medos, segredos. como você ir para escola sem roupa.
é um vazio que preenche toda sua mente, seu estômago, seus dedos, sua vontade. é olhar para a parede, pensar, chorar, voltar a pensar, assoar o nariz, dar o último trago. correndo até a cozinha eu pego um copo de água e saio descendo as escadas que me levam ao fim. eu bebo, eu retorno, eu subo as escadas cinzas e apagadas. eu chego ao topo do prédio, imaginando-me um pássaro, um anjo, um avião. eu chego ao topo, acendo outro cigarro, cuspo lá embaixo. as cenas correm rapidamente diante do meus olhos. o velho pedindo dinheiro, a criança fazendo malabares, todos sendo ignorados em sua condição social. eu pulo.
eu sinto o vento, aos pouco correndo minha pele, me tornando pó, areia molhada que a onda acaricia, que o siri se enconde. eu me tranformo na rocha, na pedra, na serra. o tempo volta a correr. eu viro asfalto, gasto, sinto as rodas, o peso, a lentidão. eu sinto os buracos como ferida, eu me torno uma árvore açoitada por um machado, um tronco que cai, o fogo queimando. eu me transporto novamente para o céu noturno.
eu estou parada na cozinha, segurando um copo d’água, com o cigarro gasto no chão.
eu vejo as formigas caminharem lentamente até o resquicio de comida em cima da pia.
é o fim, eu penso.
é o fim.

Um comentário

  1. As veves eu acho que tu usa drogas =P
    Belo texto, btw



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