Posts de Abril, 2008

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Esquizofrenia.

Abril 28, 2008

A sala estava mal iluminada, ali encontrava-se apenas uma mesinha, duas cadeiras e uma vela quase no fim.

- Eu preciso te contar um segredo. Me dê sua mão. Eu estou apaixonado.

- Por quem?

- Por uma mulher.

- Que mulher?

- A mulher no meio do inverno.

- Me beije.

As bocas se tocaram e por um breve momento a vibração dos corpos misturaram-se. O vestido dela refletia a luz fraca da vela, era preto e coberto por cintilantes que lembravam o céu estrelado que reluzia lá fora.

- Eu tenho um presente pra você.

Do bolso interno do palitó do homem saiu uma foto mágica: a mais nova estrela encontrada no céu, vermelha e branca.

- O que é isso?

- Uma estrela. A descobri ontem.

- O que ela está fazendo?

- Percorrendo o tempo e espaço em uma velocidade absurda.

- Ela vai ficar bem?

- Eu não sei. Talvez. Eu já te disse que o universo é esquizofrênico.

E os dois se calaram com o silêncio.

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Nicotina Azul

Abril 22, 2008

Um garoto arrastado por bandidos, torres sendo explodidas em nome de uma crença egoísta, milhares de pessoas assassinadas em guerras por terra, água e dinheiro. Crianças morrem em favelas todos os dias, e comercias sobre preservação do meio ambiente e efeito estufa circulam entre a barbaridade e caos. A humanidade perdeu a moral sobre si mesma, tornando o mundo um esgoto populoso de ratos que buscam a felicidade instantânea através do consumismo, que acreditam que o relativismo é a salvação e que a cura é um livro de auto-ajuda. Afogados no efeito narcotizante, os homens não acreditam mais no que vêem, perdem sua capacidade parcialmente natural de pensar antes de agir. Nós estamos doentes, perdendo uma gota de sangue a por dia, causando hemorragia global maior do que se pensa.

E em meio a todo esse caos, a janela do MSN piscou, me indicando que é tudo mais fácil quando se está morto. Eu gostei da frase, causa impacto, mas no fundo é tão óbvia e vazia quanto o céu e me remete ao muito escutado substantivo ‘morte’. Ontem eu estendi uma toalha sobre a grama e fiquei algum tempo olhando o nada, pensando na curta linha do tempo estabelecida sobre nós, as formigas, ratos e homens que convivemos tão amigavelmente na tal hemorragia. Em como eu já tenho alguns falecidos anos passados, mas ao mesmo tempo possuo a tal juventude invejada pelo asilo, e que meu desejo de sentir o vento no cabelo em uma infinita highway montada em uma Harley pode não ser realizado. Talvez um dia todos nós acordemos com a vontade incessante de reciclar, amar o próximo, usar camisinha, beber e não dirigir, não matar, não roubar e coisas politicamente corretas. Minhas esperanças ainda são nutridas por uma pequena parcela positiva do planeta, aquela parte que gosta de estender uma toalha sobre a grama e pensar no nada, que tenta ser feliz por um instante e busca a solução em um livro de auto-ajuda.

Talvez realmente as coisas sejam mais fáceis quando se está morto.

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terça feira, 15 de abril de 2008

Abril 15, 2008

Eu não nasci pra ser legal e ponto. Não vim ao mundo com a intenção de ser bonita, nem forte, e muito menos boa em alguma coisa e antes que vocês pensem, eu já vos digo: sim, minha auto-estima é uma merda, assim como a de 98% da população.

Não preciso de livros de auto-ajuda, eles também são uma merda, a felicidade não tem receita, você só vai ficar rico se for um sortudo. Se seu casamento tá uma droga não é um livro que vai resolvê-lo, para isso existe o divórcio, e acima disso, o amor. O Segredo é uma lorota em palavras, se fosse segredo e realmente funcionasse, estaria muito bem guardado. Meu Deus, onde estão as pessoas de verdade?!

Não quero o modelo mais rico e bonito, não quero a atriz com o corpo mais sarado, nem o cantor que faz sucesso. Eu cansei dos bonequinhos de plástico que não sangram, não sentem, não vivem e muito menos erram. Cansei da perfeição, de buscá-la incesadamente e de fingir que tudo está ótimo, desde que eu procure ser o que me impõem. Foda-se o moralisto conjunto, o tempo perdido em frente a televisão, as tardes escovando o cabelo e as manhãs de academia, a restrição de McDonalds e Coca-cola, a roupa que tá na moda, a novela, a igreja e tudo mais que você quiser. Acorde um dia e construa sua própria realidade baseado na filosofia pós-moderna relativista: o mundo com seus olhos e opniões, seus desejos acima da moralzinha fajuta social e acima de tudo, sua vontade de viver. Se errar é humano, acredite nisso, jogue para fora todo o lixo que implantaram na sua cabeça, vista algo inusitado, dance no meio da rua, dê risada sozinho e cante no ônibus lotado. Preste atenção na chuva e no som que cada pingo faz quando toca um material diferente, ou apenas durma o dia todo.

No fim de tudo, não faça o que eu diga. A filosia pós-moderna relativista é uma merda mesmo.

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Mais um blog.

Abril 6, 2008

Mais um blog foi criado para ser ignorado em águas futuras. Eu adoro escrever, é fato, mas hoje em dias as pessoas preferem ver Duas Caras a ler algo em qualquer lugar que seja. Então eu vou ser bem entusiasmada no começo, porém, após um mês, isso ficará as traças.

Eu sou ariana, e como já dizia Cazuza, a gente não bate, entra sem pudor e vergonha na sua vida, na do vizinho, na da sua prima, na do porteiro e assim por diante. Falo pra caralho, não tenho vergonha de palavrões, de sexo, de precoceito e muito menos de mim, ser gorda é ótimo, eu adoro, obrigado. Sou totalmente fútil, só falo merda, adoro moda, política, história, publicidade e odeio economia. Alguém pode me explicar o que é o objeto de estudo da economia? For god sake, i really don’t need this. Viciada em internet, 18 anos, durmo escutando Jack Johnson e Coldplay, assisto todo o tipo de seriado possível, moro em Belo Horizonte ( há dois meses), faço bolo e faculdade particular, tenho uma caneta de vaca e no momento são 00:07, do dia 6 de abril de 2007.

Queria mandar um beijo especial pra você, pra minha mãe, pro meu pai e par toda a minha família, especialmente pra Xuxa e pra Sasha.

See ya guys.

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