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Maio 28, 2009

eu sempre percorri os corredores da faculdade dizendo que escreveria algo sobre ‘ a fragmentação das relações humanas na era digital’. pois bem, eu vou começar aqui.

primeiro, existiam os abraços, as famílias, as tradições. existia o afeto, a compaixão, a emoção por coisas minimas. depois, veio a ganancia, a evolução, as mentiras, o dinheiro, a luxuria.

e agora nós temos um computador, notebook, iphones, twitter. nós temos toda a tecnologia a nosso alcance, pronta para nos suprir de todo o necessário. e antes que alguém pense, eu não citarei um velho clichê sobre máquinas e humanos.

obviamente o humano ainda sente e convive, independentes dos meios. há milhões de pessoas que podem afirmar que já sentiram algo que não fosse por meio de uma relação humanamente carnal. nós sentimos lendo, vendo filmes, escrevendo emails, escutando músicas. 

o meu ponto de vista aqui é um pouco complexo para ser ilustrado. é aquele tipo de viagem que você tem depois de alguns quilos de material ilicito ingeridos. talvez, alguém, um dia entenda.

sabe aquela incrível sensação de solidão no meio de trilhões de pessoas? do individual, do mundo que acontece apenas na sua cabeça. eu achei, algum dia na minha vida, que a internet finalmente tinha acabado com isso. teria ela suprido todas as relaçãos que eu não consegui estabelcer na “realidade”. A rede me forneceu mais do que eu poderia esperar, mais do que conseguira imaginar, me fez sentir, chorar, gritar, e rir. Despertou todos os tipos de sentimentos possíveis e tudo isso foi presenciado em frente a uma tela plugada na tomada.

e hoje, depois de SEIS anos viciada, eu me pergunto. será que vale a pena? será que eu, por sentir o que poderia sentir de outras formas, sou meio…lúnatica? nerd? louca?

será que alguém lendo isso vai sentir a mesma coisa que eu? SERÁ QUE A PORRA DO MEIO É A MENSAGEM?

 

enfim, eu não sei.

talvez eu vá escrever sobre publicidade infantil e merdas do tipo. acho que será mais produtivo.

boa noite, kUrk.

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sonho

Abril 25, 2009

não há nada mais sereno e agradável do que os acordes calmos de um violão. de preferencia, acompanhado por uma voz mansa que lhe dê o que merece. esse tipo de momento merece um fechar de olhos e respiração calma, ainda mais quando vem da sala.

ainda mais quando vem dele.

eu abro os olhos, chateada com a luz que insite em entrar. gostaria de ficar o resto dos meses ali, deitada sobre o nascer do dia enquanto ele canta, suave, triste, misterioso. me faz acordar com meio sorriso nos lábios, acompanhado por um súbito desejo de lhe ter na cama outra vez. eu respiro fundo, espreguiçando-me, e sinto agora o cheiro de café.

lá fora, existe um céu limpo e um sol brincalhão que invade com seus arios por toda cozinha. e lá está  homem, lutando contra o pó preto e a água quente. silenciosa, atravesso a sala, me enroscando em sua costas, como uma gata manhosa e preguiçosa. ele me acolhe, como sempre faz e me beija com carinho e paixão, esse tipo de beijo que não se quer parar. não há necessidades de palavras.

para mim, aquilo é um sonho. do tipo que lhe desperta um grau de felicidade indiscutível. logo estamos novamente espalhados pela casa vazia, meus pés brincam com suas mãos bobas que correm pelas pernas, coxas, vazio. a música ecoa, as cordas criam vida.

e eu, secretamente, guardo aquele momento em uma caixinha.

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Março 15, 2009

no dia 11 de abril de mil novecentos e oitenta e nove eu nasci.

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14.02.2009

Fevereiro 15, 2009

hoje eu fiz coisas realmente estúpidas.

e algumas horas depois eu reconheço que eu sou uma fraude, idêntica aqueles nerds sem jeito de filmes americanos que sempre acabam dizendo coisas esquisitas por nervosismo, tentando se encaixar em algum grupo. e no fim, acaba asfatando tudo.

Essa minha velha mania de dizer tudo, absolutamente tudo, que eu penso só me fode. Hoje, por exemplo, eu falei várias coisas rídiculas que causaram silêncios contrangedores (o fato de ter soltado que eu nunca tinha ido a um motel em um grupo de pessoas não muito intimas, que provavelmente me acharam uma idiota. e agora eu fiz de novo, mas como ninguém lê isso aqui, estou em paz.)

O que é realmente engraçado é que eu nunca me importei com isso. Sempre foi o meu jeito e geralmente quem me conhece sabe que essas merdas são comuns. E geralmente rola uma risada depois, e o assunto logo é desviado.

Mas não, hoje foi estranho. Parecia um ambiente totalmente novo (o que, de fato, era) e as pessoas ali não riram depois. Foi estranho e eu me senti nua e exposta.

De fato, eu me senti mal. Chocada com a minha capacidade de tentar a agradar a todos dizendo bobagens o tempo todo pra vê-los me aceitando de uma maneira que eu não sou. Eu não preciso conhecer todos os livros, filmes, revistas e sites mais legais, porque isso não faz meu tipo.

As vezes cansa sustentar algo para fora. E o mais bizarro é que justamente quando eu tento ser eu mesma, falando todo tipo de merda (o que legitimente faz parte da coisa mais sincera de mim) eu pareço forçada.

Não sei. Isso está me dando uma leve dor de estômago, que consome minha mente junto. O pior é que eu não consigo criar laços fortes nesta cidade. Já faz um ano que eu tento, tento e parece que ada se encaixa como devia no campo das amizades….eu não tenho mais uma melhor amiga pra ligar tipo, essa hora pra flar exatamente o que estou escrevendo aqui. Nem aquele amigo que eu posso ligar na tarde entediante para fazer algo bem banal e divertido. Isso me lembra o quanto sozinha eu consigo ser e o quanto isso me incomoda, e me faz pensar no alto nível de babaquice que eu alcanço. *emoway*

no fim, eu acho que é apenas exaustão. esse vai e vem de sentimentos estranhos e confusos as vezes me deixam realmente abalada.

bem, minha única solução é escrever, mesmo sabendo que ninguém vai ler.

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Fevereiro 8, 2009

Existem determinados dias do ano em que você senta-se e pensa. No passado, nos erros e nos fatos que poderiam ter sido diferentes se você tivesse a cabeça que tem hoje. Pensa no presente, se o que está fazendo é realmente o que quer, o que te faz feliz, o que satisfaz. E após um longo suspiro, há uma leve divagação sobre o futuro.
Hoje foi o meu dia.

Primeiro, eu gostaria de mudar algumas cenas passadas que tanto me incomodam antes de dormir. São fatos que me fazem ser o que sou, mas que eu não gosto de lembrar. Rostos, palavras, noites e dias, pequenos pedaços de um antigo cotidiano que me assombram. Será que tudo realmente valeu a pena?
A indagação me remete ao presente. O que acontece hoje tem realmente a ver com o que aconteceu ontem? Será tudo aleatório u destinado? Ou apenas fazem parte de uma grande massa de vida?
Não sei. Hoje foi um dia de dúvidas.
E é exatamente o futuro que eu vejo. Um grande e incomodo ponto de interrogação.

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2008

Janeiro 6, 2009

Eu acredito que dentro de mim há uma grande insatifação. E isso me incomoda de maneira clara, assim como uma espécie de medo sobrevoa meu corpo, o invadindo pelos poros, corroendo meus pensamentos, tornando essa coisa toda de vida mais difícil. De todo meu passado sem graça e meu presente pior ainda, eu consigo visualizar um futuro, no máximo, constrangedor.

A vida é um saco de ser pensada. Quando menos se esperar você age como não deveria e…BUM…tudo se dinamiza de forma errônia. Mortos que são felizes, ali embaixo da terra quentinha e reconfortante, recebendo flores e lamúrias, deixando um pequeno rastro em forma de memória.

Algo a ser acresentado, algo essencial me falta. eu não entendo como, nem sei porquê, mas me falta. Dai vem a insatisfação e o desejo por algo. Mas parece que toda vez que estou prestes a encontrar, consigo colocar um pedra por cima, um erro. E numa peripécia desimportante eu me esqueço do objeto inical da procura e mergulho no pessimismo básico.

Em poucas palavras, nada de fato importa. Foi um ano deixado pra trás, onde eu tive que superar todos meus medinhos de adolescente, todas as crises bestas, toda a tristeza inicial normal de uma menina que precisa crescer. Eu aprendi algumas coisas, mas deixei um buraco no meio, devido a uma manobra brusca de deixar tudo pra trás. E tomei um susto das consequências pela minha escolha de mudar. Digo, achei que talvez  se eu tivesse ficado por lá e me virado sozinha teria amadurecido, mas eu jamais teria mudado tanto quanto eu o fiz por aqui.

E deixo meu testemunho registrado, para quem sabe, um dia, algum bastardo ler.

Mudar dói. E é muito, muito difícil. Explicitamente, abre feridas que nunca serão cicatrizadas, mas que se não estivem ali, você jamais seria uma pessoa melhor.

Não tirem uma mensagem positiva disto, pois não há.  São apenas fatos registrados em um endereço virtual qualquer, que logo se apagará com o fim do mundo, em 2013.

Se eu acredito nisso?

Bullshit.

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it’s all about love

Dezembro 20, 2008

Eu não acredito em erros, muito menos em verdades absolutas. A vida passa tão rápido quanto 60 segundos em um relógio de ponteiro veloz. E ela pulsa forte e firme a cada tic-tac, nos despertando de certo marasmo qualquer.

De todas as coisas, eu acredito no amor. Cético, ele nos ensina de todas as formas, mesmo quando falho e vago. Além do mais, o amor está presentes em todas as relações possíveis, em todos os momentos, tantos os bons, quanto os ruins, no fundo, é tudo sobre amor.

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Setembro 25, 2008

eu só estou triste.

odeio essa coisa ruim que cresce dento de mim a cada minuto. a vontade é ficar chorando um rio de lágrimas em baixo das cobertas e virar um vegetal por ali. eu queria ser vazia, sem sentimento, para não ter que me preocupar com eles. minha mãe viajou e isso implica nesse meu processo de virar mulher. de fato, é um saco. são milhares de questionamentos na minha cabeça, dúvidas e planos que provavelmente darão errado. eu não consigo ficar muito tempo sozinha, acho que preciso de alguém respirando um pouco por mim. eu preciso me distrair, preciso de compania e caso isso não aconteça eu simplesmente desabo. e isso cansa as vezes.

eu odeio pensar demais. quando mais eu penso, mais eu afundo. mas de fato, eu estou apenas triste.

eu espero que isso passe logo.

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último romance

Setembro 21, 2008

ter dúvidas é uma merda, mas eu acredito que sem dúvidas não há vida e muito menos escolhas. Minha cabeça está lotada, cheia de perguntas sem respostas, caminhos obscuros e vontades limitadas. E a culpa é dele.

Eu sinceramente quero me apaixonar. São praticamente 20 anos sem sentimentos, apenas na base do pós-moderno: rápido e intenso. Hoje o medo me invade. Eu não quero me entregar deste jeito, tenho certeza que daqui a um tempo eu vou me quebrar em mil pedaços por um não. eu sinto que se eu deixar ele andar comigo de mão-dada meu coração vai doer mais do que merece. Eu não sei o que esperar, nem o que sentir, muito menos o que fazer. É um labirinto de pensamentos que faz eu me perder com as pequenas atitudes perante ao rapaz. Nossos beijos são sem moral, nosso abraço insconsciente e o sorriso dele faz tudo não ter sentido.

Amanhã eu vou olhar nos seus olhos:

- Eu cansei de viver na base do lero-lero. Então eu exijo honestidade e se você for me magoar mais pra frente eu espero que seja rápido e indolor.  Eu quero me entregar, mas se eu for fazer isso você faz o mesmo ou terminamos por aqui. Mulher de malandro eu não sou.

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Julho 31, 2008

são quatro da manhã. eu digo, já se foram 4 horas de quinta feira. e faltam apenas 4 dias pras aulas começarem. o tédio cotidiano vai invadir meus dias mórbidos de poeira e fim de tarde. eu poderia re-fazer mil coisas, torná-las legais, poderia sair correndo na rua, dizer, gritar e escutar a resposta silêncio e os olhares que julgam. eu resolvo então me sentar no meio da varanda e acender um cigarro, observando a solidão dos seres noturnos e da noite fria. a falta de estrela me incomoda, assim como o silêncio pertubador que me faz escutar meus pensamentos acusadores.
é como você escrever um livro que ninguém nunca irá ler. com todos seus medos, segredos. como você ir para escola sem roupa.
é um vazio que preenche toda sua mente, seu estômago, seus dedos, sua vontade. é olhar para a parede, pensar, chorar, voltar a pensar, assoar o nariz, dar o último trago. correndo até a cozinha eu pego um copo de água e saio descendo as escadas que me levam ao fim. eu bebo, eu retorno, eu subo as escadas cinzas e apagadas. eu chego ao topo do prédio, imaginando-me um pássaro, um anjo, um avião. eu chego ao topo, acendo outro cigarro, cuspo lá embaixo. as cenas correm rapidamente diante do meus olhos. o velho pedindo dinheiro, a criança fazendo malabares, todos sendo ignorados em sua condição social. eu pulo.
eu sinto o vento, aos pouco correndo minha pele, me tornando pó, areia molhada que a onda acaricia, que o siri se enconde. eu me tranformo na rocha, na pedra, na serra. o tempo volta a correr. eu viro asfalto, gasto, sinto as rodas, o peso, a lentidão. eu sinto os buracos como ferida, eu me torno uma árvore açoitada por um machado, um tronco que cai, o fogo queimando. eu me transporto novamente para o céu noturno.
eu estou parada na cozinha, segurando um copo d’água, com o cigarro gasto no chão.
eu vejo as formigas caminharem lentamente até o resquicio de comida em cima da pia.
é o fim, eu penso.
é o fim.