são quatro da manhã. eu digo, já se foram 4 horas de quinta feira. e faltam apenas 4 dias pras aulas começarem. o tédio cotidiano vai invadir meus dias mórbidos de poeira e fim de tarde. eu poderia re-fazer mil coisas, torná-las legais, poderia sair correndo na rua, dizer, gritar e escutar a resposta silêncio e os olhares que julgam. eu resolvo então me sentar no meio da varanda e acender um cigarro, observando a solidão dos seres noturnos e da noite fria. a falta de estrela me incomoda, assim como o silêncio pertubador que me faz escutar meus pensamentos acusadores.
é como você escrever um livro que ninguém nunca irá ler. com todos seus medos, segredos. como você ir para escola sem roupa.
é um vazio que preenche toda sua mente, seu estômago, seus dedos, sua vontade. é olhar para a parede, pensar, chorar, voltar a pensar, assoar o nariz, dar o último trago. correndo até a cozinha eu pego um copo de água e saio descendo as escadas que me levam ao fim. eu bebo, eu retorno, eu subo as escadas cinzas e apagadas. eu chego ao topo do prédio, imaginando-me um pássaro, um anjo, um avião. eu chego ao topo, acendo outro cigarro, cuspo lá embaixo. as cenas correm rapidamente diante do meus olhos. o velho pedindo dinheiro, a criança fazendo malabares, todos sendo ignorados em sua condição social. eu pulo.
eu sinto o vento, aos pouco correndo minha pele, me tornando pó, areia molhada que a onda acaricia, que o siri se enconde. eu me tranformo na rocha, na pedra, na serra. o tempo volta a correr. eu viro asfalto, gasto, sinto as rodas, o peso, a lentidão. eu sinto os buracos como ferida, eu me torno uma árvore açoitada por um machado, um tronco que cai, o fogo queimando. eu me transporto novamente para o céu noturno.
eu estou parada na cozinha, segurando um copo d’água, com o cigarro gasto no chão.
eu vejo as formigas caminharem lentamente até o resquicio de comida em cima da pia.
é o fim, eu penso.
é o fim.

Julho 31, 2008

eu que não amo você.
Junho 13, 2008Era tudo novo ali. No puro prazer na inocência, ele repousava a cabeça sobre o meu colo, segurando minha mão firmemente. Ao longe, o sol ia se despedindo, deixando uma leve e única brisa no fim de tarde abafado. Nós trocávamos algumas palavras bobas, meu coração disparava quando via aquele sorriso sincero. Era tudo parte de um começo de vida, uma iniciação no mundinho chato e triste que é o amor. Tão perfeito, calmo, irreal, verdadeiro e tímido. A rua estava vazia, eu permanecia em silêncio, enquanto ele brincava com meus dedos em suas mãos magrelas e brancas.
- E quando tudo isso acabar?
- Como assim? – suspirei, afagando seu cabelo bagunçado.
- A gente vai crescer…Mudar. Talvez um dia nossos rostos se apaguem.
- Eu não sei…Talvez um dia nós vamos estar adultos, andando em alguma cidade no meio do caos e nos reconhecemos por um sorriso. Eu largaria meu namorado, você sua vida boêmia e nós podemos fugir pra França.
- Você é tão boba.
- E você é tão…
Seus lábios tocaram os meus, delicadamente, nada invasivo. Eram macios, tinham sabor de chocolate branco. O que aconteceu internamente não há como descrever, nada comparada a felicidade instantânea de uma roupa nova. Não, era algo bem melhor que isso. Era tudo tão mágico e delicioso, nada de preocupações. Éramos dois na calçada, os pés no chão quente, as mãos entrelaçadas, os sorrisos carregados de felicidade.
Hoje eu ainda olho para aquela foto estranha no fundo da caixa. Ele está longe, provavelmente apagou meu rosto. Eu não consigo sentir, nada comparado aquilo, nada que faça meu coração disparar como aquele dia. Eu só amei uma vez, eu tinha onze anos, um metro e sessenta e cinco e era boba.

Clark Kent
Junho 1, 2008Eram quatro da matina. Cinco pessoas se meteram dentro de um táxi, completamente bêbadas. Eu me estirava sobre todos no banco traseiro, sentindo a mão dele sobre a minha, me segurando contra as freiadas bruscas do imbecil que tava dirigindo. O show era o assunto, entre risos e meia palavras eu conseguia formular algumas frases.
O ar era fresco, a varanda fria e o vinho agradável. Já estavamos todos jogados no chão da sala, entre cobertores, abraços e cigarro. No som algo leve, um solo perfeito para o momento, os músicos discutiam algo sobre Hendrix, enquanto os dedos aceleravam dentro de mim, e os lábios silenciavam meus gemidos e sussuros. Ele sabia o que estava fazendo, arriscando minha reputação de boa moça, de novatana na cidade, de inocente, mesmo sendo uma puta mentira. Explodi em silêncio, voltando a buscar sua boca. Nós poderíamos trepar aqui na frente que ninguém iria reparar, estão todos tão chapados e concentrado nessa merda de conversa que nem perceberam que o sol já está nascendo. Me enrolo na coberta e o arrasto para o frio cortante lá de fora, acendendo um cigarro.
- Apaga essa merda - ele tenta roubá-lo, me fazendo esquivar
- Não. Você gosta de fazer sexo, não é?
- Claro.
- Já imaginou você nunca mais poder fazer? Então…
- Você é louca.
Um diálogo imbecil é iniciado, mas meu estado alcólico não permite que eu o derrube com palavras. Jogo a bituca lá embaixo e pego uma cerveja, fugindo de seus braços para o banheiro. São oito horas da manhã, eles continuam ligados, pó, maconha, haxixe. Eu tenho nojo desses ratos, precisam dessa merda toda pra conseguir fazer alguma coisa.
São oito homens, eu e mais uma mulher. Tem outro cara me olhando, enquanto o babe aqui do lado beija meu pescoço. Ele desliza a lingua delicadamente até minha boca e a morde, me puxando para a continuação. O outro só olha, todo tarado, com cara de cachorrinho sem dono…se esse aqui me largar, sozinha eu não fico.
O povo capotou na sala, eu me jogo no colchão com ele e fecho a porta do quarto. Ele me puxa, e joga o edredon sobre a gente, me prensando por baixo, deslizando a mão por baixo da minha blusa. Eu o empurro com força. Nada de sexo pra você, não aqui e não agora. Não sem camisinha. Sinto muito. A gente se diverte limitadamente por ali, e depois de algum tempo eu volto a escutar a guitarra e as pessoas cantando. Ele busca mais cerveja enquanto eu acendo o último cigarro. Bebemos, dormimos ali, juntos. É estranho se enrolar nos braços de alguém que eu nunca mais vou ver.
São onze da manhã, o outro casal quer usar o quarto. Eu preciso ir embora.
- Eu posso te chamar de Clark Kent…
Ele ri e me puxa, perguntando onde eu moro.
- Aqui perto.
- Eu te levo.
A noite termina aqui. Eu dou um beijo de despedida e chamo o elevador, frustada por não ter trocado telefone. Com raiva de meus pais estarem em casa, a gente podia ter terminado o serviço. Mas não, a vida é toda controversa, cheia de babaquices do tipo.
Minha cabeça dói. Tomo dois goles de água e me jogo na cama, tentando lembrar de alguma coisa, algo que acabou de acontecer.
Mas a única coisa que me resta é o sorriso.

Forever Young
Maio 22, 2008Crescer é uma merda. E tenho dito.
São três semanas sem sair de casa, revezando entre dois pijamas, algumas caixas de remédios, sopa, chá e mais alguns pensamentos confusos. I’m done.
O sol brilha, os passáros cantam e as pessoas sorriem, e eu espero que tudo isso se foda. Todo os pensamentos positivos, orações, macumbas, preces e pedidos podem explodirem no espaço/tempo, se perderem nas boas memórias do colegial e nos tempos qu minha função era apenas estudar. E eu sou apenas mais uma depressiva escrevendo no meu bloguinho sobre como a vida é uma merda para dois amigos cariodoso lerem. I’m so fuckin done.
Eu não sei se consigo decidir e muito menos arcar com as consequências, eu não posso mudar de posição por medo de arriscar, de sentir saudade. Eu não consigo decidir por mim. Eu sou fraca. Eu não quero crescer, ter responsabilidades, minhas opções parecem tão limitadas que nem se quer são opções. Eu sinto falta de acordar as 4 da tarde, fumar um cigarro e ligar a tv, beber um café enquanto a Fer faz o almoço, depois sair e chegar as 5 da manhã…aquele era um ciclo de vida bom. E dormir na Olivia e passar o domingo tomando sol e cerveja, conversando sobre coisas banais na piscina. E cantarolar Moulin Rouge pelas ruas bêbada com a Carina, dando saltos e imitando a Nicole Kidman. Mas não dá.
I’m really done.

Freud explica.
Maio 6, 2008Eu preciso de algo mais para respirar.
Os bons romances foram todos assasinados e queimados, deixando para trás apenas a sombra de um verdadeiro amor. E hoje eu cheguei a conclusão de que o amor é apenas um estado de espiríto e o desejo é o tal vazio eterno que me atormenta. E para me satisfazer eu só preciso de dinheiro e um bom shopping.
É amiguinhos, se entreguem ao consumismo. Sabe aquele papo de vazio inteior? Besteira. No meio da aula, me veio a visão, a luz, a resposta. Tudo não passa de desejo, e quando você satisfaz um, logo surge outro, trazendo a tona o vazio que logo será preenchido com outra coisa e assim por diantes. Pronto, lá estamos nós em outro ciclo vicioso. Freud já dizia isso, é fato, estou apenas dando um crtl c + crtl v por aqui. Ele era louco, a propósito, todos os grandes gênios são.
Ta ai Luigi, respondi sua pergunta.
O tal vazio. Eu já sabia: Freud explica tudo.

Esquizofrenia.
Abril 28, 2008A sala estava mal iluminada, ali encontrava-se apenas uma mesinha, duas cadeiras e uma vela quase no fim.
- Eu preciso te contar um segredo. Me dê sua mão. Eu estou apaixonado.
- Por quem?
- Por uma mulher.
- Que mulher?
- A mulher no meio do inverno.
- Me beije.
As bocas se tocaram e por um breve momento a vibração dos corpos misturaram-se. O vestido dela refletia a luz fraca da vela, era preto e coberto por cintilantes que lembravam o céu estrelado que reluzia lá fora.
- Eu tenho um presente pra você.
Do bolso interno do palitó do homem saiu uma foto mágica: a mais nova estrela encontrada no céu, vermelha e branca.
- O que é isso?
- Uma estrela. A descobri ontem.
- O que ela está fazendo?
- Percorrendo o tempo e espaço em uma velocidade absurda.
- Ela vai ficar bem?
- Eu não sei. Talvez. Eu já te disse que o universo é esquizofrênico.
E os dois se calaram com o silêncio.

Nicotina Azul
Abril 22, 2008Um garoto arrastado por bandidos, torres sendo explodidas em nome de uma crença egoísta, milhares de pessoas assassinadas em guerras por terra, água e dinheiro. Crianças morrem em favelas todos os dias, e comercias sobre preservação do meio ambiente e efeito estufa circulam entre a barbaridade e caos. A humanidade perdeu a moral sobre si mesma, tornando o mundo um esgoto populoso de ratos que buscam a felicidade instantânea através do consumismo, que acreditam que o relativismo é a salvação e que a cura é um livro de auto-ajuda. Afogados no efeito narcotizante, os homens não acreditam mais no que vêem, perdem sua capacidade parcialmente natural de pensar antes de agir. Nós estamos doentes, perdendo uma gota de sangue a por dia, causando hemorragia global maior do que se pensa.
E em meio a todo esse caos, a janela do MSN piscou, me indicando que é tudo mais fácil quando se está morto. Eu gostei da frase, causa impacto, mas no fundo é tão óbvia e vazia quanto o céu e me remete ao muito escutado substantivo ‘morte’. Ontem eu estendi uma toalha sobre a grama e fiquei algum tempo olhando o nada, pensando na curta linha do tempo estabelecida sobre nós, as formigas, ratos e homens que convivemos tão amigavelmente na tal hemorragia. Em como eu já tenho alguns falecidos anos passados, mas ao mesmo tempo possuo a tal juventude invejada pelo asilo, e que meu desejo de sentir o vento no cabelo em uma infinita highway montada em uma Harley pode não ser realizado. Talvez um dia todos nós acordemos com a vontade incessante de reciclar, amar o próximo, usar camisinha, beber e não dirigir, não matar, não roubar e coisas politicamente corretas. Minhas esperanças ainda são nutridas por uma pequena parcela positiva do planeta, aquela parte que gosta de estender uma toalha sobre a grama e pensar no nada, que tenta ser feliz por um instante e busca a solução em um livro de auto-ajuda.
Talvez realmente as coisas sejam mais fáceis quando se está morto.

terça feira, 15 de abril de 2008
Abril 15, 2008Eu não nasci pra ser legal e ponto. Não vim ao mundo com a intenção de ser bonita, nem forte, e muito menos boa em alguma coisa e antes que vocês pensem, eu já vos digo: sim, minha auto-estima é uma merda, assim como a de 98% da população.
Não preciso de livros de auto-ajuda, eles também são uma merda, a felicidade não tem receita, você só vai ficar rico se for um sortudo. Se seu casamento tá uma droga não é um livro que vai resolvê-lo, para isso existe o divórcio, e acima disso, o amor. O Segredo é uma lorota em palavras, se fosse segredo e realmente funcionasse, estaria muito bem guardado. Meu Deus, onde estão as pessoas de verdade?!
Não quero o modelo mais rico e bonito, não quero a atriz com o corpo mais sarado, nem o cantor que faz sucesso. Eu cansei dos bonequinhos de plástico que não sangram, não sentem, não vivem e muito menos erram. Cansei da perfeição, de buscá-la incesadamente e de fingir que tudo está ótimo, desde que eu procure ser o que me impõem. Foda-se o moralisto conjunto, o tempo perdido em frente a televisão, as tardes escovando o cabelo e as manhãs de academia, a restrição de McDonalds e Coca-cola, a roupa que tá na moda, a novela, a igreja e tudo mais que você quiser. Acorde um dia e construa sua própria realidade baseado na filosofia pós-moderna relativista: o mundo com seus olhos e opniões, seus desejos acima da moralzinha fajuta social e acima de tudo, sua vontade de viver. Se errar é humano, acredite nisso, jogue para fora todo o lixo que implantaram na sua cabeça, vista algo inusitado, dance no meio da rua, dê risada sozinho e cante no ônibus lotado. Preste atenção na chuva e no som que cada pingo faz quando toca um material diferente, ou apenas durma o dia todo.
No fim de tudo, não faça o que eu diga. A filosia pós-moderna relativista é uma merda mesmo.

Mais um blog.
Abril 6, 2008Mais um blog foi criado para ser ignorado em águas futuras. Eu adoro escrever, é fato, mas hoje em dias as pessoas preferem ver Duas Caras a ler algo em qualquer lugar que seja. Então eu vou ser bem entusiasmada no começo, porém, após um mês, isso ficará as traças.
Eu sou ariana, e como já dizia Cazuza, a gente não bate, entra sem pudor e vergonha na sua vida, na do vizinho, na da sua prima, na do porteiro e assim por diante. Falo pra caralho, não tenho vergonha de palavrões, de sexo, de precoceito e muito menos de mim, ser gorda é ótimo, eu adoro, obrigado. Sou totalmente fútil, só falo merda, adoro moda, política, história, publicidade e odeio economia. Alguém pode me explicar o que é o objeto de estudo da economia? For god sake, i really don’t need this. Viciada em internet, 18 anos, durmo escutando Jack Johnson e Coldplay, assisto todo o tipo de seriado possível, moro em Belo Horizonte ( há dois meses), faço bolo e faculdade particular, tenho uma caneta de vaca e no momento são 00:07, do dia 6 de abril de 2007.
Queria mandar um beijo especial pra você, pra minha mãe, pro meu pai e par toda a minha família, especialmente pra Xuxa e pra Sasha.
See ya guys.
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