h1

abril 3, 2010

o mundo é a solidão.

h1

parada obrigatória

março 14, 2010
esses dias eu estava caminhando sobre a rua e paralisei.
meu organismo não respondeu mais as ações mediocres ordenadas pelo meu cerebro e meu sorriso fechou-se, quase melancólico. os olhos atingiram a altura do horizonte, enquanto lentamente eu me entregava ao desejo de parar. assim, sem discordia e nem justificativa, sem explicações prolongadas ou motivos relevantes.
a respiração me causou certo desconforto e até mesmo o coração incomodova. não queria movimento, arfar de finais de dias, muito menos triste lembranças movendo pensamentos.
o fim havia de ser estático, quase uma canção sem notas.
fechei os olhos, apreensiva com toda a paralisia e desejei que assim permanecesse para sempre.
h1

mas nossa vida se perdeu.

dezembro 3, 2009

Não haviam mais esperanças para Tomás.

Pela fresta da cortina, observava a única que lhe fez sorrir arrastar-se para fora do portão. Podia sentir os olhos úmidos e a boca seca acompanhar aquela pedra em seu estômago. O vazio era imenso e tão vazio que nem 3 litros de wisk ou 98 horas de filmes preencheriam.  Se fosse definir, não conseguiria. Era um aperto, uma falta de ar, uma frustação tão grande que nada lhe parecia mais possível. Era um sede jamais saciada e uma fome sem comida. Ao seu ver, beirava ao ponto da insanidade.

Sem pretensão, jogou-se no chão. O rosto gelou-se no azulejo e as pernas encolhiam-se fetalmente. É o fim, menino. É o fim.

h1

dezembro 3, 2009

havia uma sinfonia simples no ar,

sorrateira, espalhava-se pelos muros cobertos de ilusão e auto-piedade, não que isso significasse algo. a cidade iluminava-se na tentativa de manter-se ativa e as sombras cresciam e dançavam pelo asfalto desfigurado. ao longe, a letra saia preguiçosa de um eco anônimo e sorria por entre os carros enferrujados. a melodia corria animada pelas escadas dos prédios decadentes atirava-se livre no ar, estourando alegria para qualquer ser vivo que restasse na cidade vazia. agora já estava feito;

a música surgia e seus componentes misturavam-se,  insanos e rítmicos. e a cidade cinza ganhava cores, tons, notas e acima de tudo, vida.

h1

take me out tonight

dezembro 3, 2009

não era uma noite qualquer,

enquanto o lápis corria rápido pelo caderno desconfigurado da sombra azul naquele pequeno quarto,  melissa sentia-se finalmente livre para correr na chuva. e não eram apenas gotas: os tons coloridos que pintavam o céu deixavam claro que aquela nuvem estava recheada de sonhos.

pequenas goticulas preenchiam a janela dele.  chovia tão forte quando a raiva e a emoção que expressava-se no papel. um desenho longo e absurdo surgia, dando o ar de sua graça para o sorriso falho do artista.

e assim, em cada canto a cidade era lavada. simples e vulgar.

h1

Desperdício.

novembro 11, 2009

Todo dia eu vejo mais e mais pessoas sendo desperdiçadas: em pequenos gestos, em súbitas palavras, em um silêncio arrematador. Todo dia eu presencio a dor de ver um coração ir ao chão, totalmente quebrado. Eu vejo lágrimas escorrendo e levando-me à um grande rio. Eu vejo uma enxente de ilusões invadir a minha sala, o meu quarto, a minha cabeça.

Todo dia eu vejo pessoas desperdiçando pessoas. Pessoas que nem ao menos deram-se ao luxo de experimentar antes de jogar fora. Pessoas que tentam se alimentar de algo que não lhe convém e insistindo em desperdiçar aquilo que lhe deveria preencher. É uma irônica sinfônica que arranha aos ouvidos de quem não tem o dom para a música. Uma grande perda de tempo, um bolo sem cobertura, um total desperdício.

Todo dia eu vejo um pedaço de mim em uma lata de lixo. Eu dou um pouco, me cortam o braço e o jogam fora. Eu dou mais um pouco e lá se vai minhas mãos.  Sem hesitar, eu exprimento mais um pouco dessa devoção sádica. E em pouco tempo, quase um dia, eu vejo, triste, o meu coração sendo desperdiçado.

 

 

h1

outubro 27, 2009

tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo e de repente eu me vi assim…

completamente seu.

 


h1

errônia de vocabulário

outubro 27, 2009
era pra ser uma história triste.
discorria sobre um caso, a muito tempo atrás, na pequena roça chamada cidade. duas moças conheciam e viviam a noite tranquila, que se misturava em um louco aperto dentro de um liquidificador de ilusões. dizem as más linguas que mariana sumiu no tempo, enquanto luisa rendia-se as peripécias desimportantes do amor moderno.
uma pena, disse o velho que me contava a história. a mais baixa, morena  e com olhos de ressaca – que não era capitu – prendeu-se logo ao primeiro moço, casou-se, reproduziu e virou pó. mariana apareceu logo mais, livre como um passáro e tão sozinha quanto o compasso vibrante das montanhas.
vejam só, continuo dissimulando, não era motiuvo para tanta docura.  até hoje escuta-se na noite de ilusões a risadas das duas moças, sozinhas e soltas  na pequena roça chamada cidade.
h1

Culpa

outubro 8, 2009

Responsabilidade sobre a vida de milhares de pessoas. Decisões que podem modificar o mais simples item na rotina de cada pessoa do mundo. Atitudes que fazem a diferença em cada detalhe. Verbos, substantivos e adjetivos que poderiam se unir para descrever o peso que um líder político e diplomático carrega nas costas. Por fim, chega-se a conclusão de que muitas vezes, a culpa está nos ombros de Obama, Lula, Primeiros ministros, ditadores, deputados, shakes, xás, etc. É só abrir o jornal e ligar a tv para nomes e funções serem jogadas na boca do povo, assim como erros , genocidios, problemas sociais, ecologicos e toda essa merda. Mas muitas vezes as pessoas esquecem de um simples detalhe: todo e qualquer líder precisa SER humano. Todo e qualquer líder pertence a mesma raça que a sua. Ele nasce, cresce, se reproduz e morre.

Por essa linha de raciocínio, eu cheguei a seguinte conclusão: o problema não é de uma pessoa. Você pode assassinar um ditador que massacrou milhares de pessoas acreditando que a vida dele extinta salvará milhares de outras. O problema é: depois dele, virão outros. E se não for um ditador, será algum burocarata que extorquirá dinheiro dos pobres, ou um populista que, na frente de todo poder e capital acaba virando as costas para os prórprios ideais.

E no fundo, isso não é sobre política, nem sobre comunismo e capitalismo. Trata-se da podridão que existe em cada pequena célula de nosso corpo, ali, pronta para se mostrar nos piores momentos. Essa neurose que engorda cada vez mais na mente da nossa querida e amada raça humana, a falta de caráter, ética, moral e até mesmo, humanidade. No fundo, aquele linha tênue chamada de razão que existia em nós e nos distinguia dos outros animais, finalmente, foi quebrada. O quão diferente é alguém que carrega consigo a intenção de matar de um leão prestes a se alimentar? Sem mencionar a grande privada que o planeta virou, não é? Merda tecnologica e excremento humano se misturam, massim como vidas que buscam nesse esgoto uma maneira de sobrevivência.

No fundo, eu desisti. Pensar sobre isso faz sentir um certo nojo sobre a minha existência.

E no fim…bem, no fim a culpa é dos humanos.

h1

sonho

abril 25, 2009

não há nada mais sereno e agradável do que os acordes calmos de um violão. de preferencia, acompanhado por uma voz mansa que lhe dê o que merece. esse tipo de momento merece um fechar de olhos e respiração calma, ainda mais quando vem da sala.

ainda mais quando vem dele.

eu abro os olhos, chateada com a luz que insite em entrar. gostaria de ficar o resto dos meses ali, deitada sobre o nascer do dia enquanto ele canta, suave, triste, misterioso. me faz acordar com meio sorriso nos lábios, acompanhado por um súbito desejo de lhe ter na cama outra vez. eu respiro fundo, espreguiçando-me, e sinto agora o cheiro de café.

lá fora, existe um céu limpo e um sol brincalhão que invade com seus arios por toda cozinha. e lá está  homem, lutando contra o pó preto e a água quente. silenciosa, atravesso a sala, me enroscando em sua costas, como uma gata manhosa e preguiçosa. ele me acolhe, como sempre faz e me beija com carinho e paixão, esse tipo de beijo que não se quer parar. não há necessidades de palavras.

para mim, aquilo é um sonho. do tipo que lhe desperta um grau de felicidade indiscutível. logo estamos novamente espalhados pela casa vazia, meus pés brincam com suas mãos bobas que correm pelas pernas, coxas, vazio. a música ecoa, as cordas criam vida.

e eu, secretamente, guardo aquele momento em uma caixinha.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.